Os vampiros brasileiros
Eu sou aficcionada por terror. Em matéria de filmes, sou louca por dois gêneros: terror e trash. Se for terror-trash, ainda melhor. E, no que diz respeito a livros, adoro terror, suspense, sobrenatural e o meu personagem preferido: o vampiro.
Podem nomear: Bram Stoker, Anne Rice, Laurell K. Hamilton e dezenas de outros autores. Conheço quase todos. Gosto de vários. Mas me surpreendo muito pouco. O problema é que todo mundo meio que sabe o que é um vampiro, como ele vive, como ele morre, sangue, crucifixo, alho, água benta, luz do sol, morcego, espelho, bla bla bla. Não tem muito pra onde correr. Ou pelo menos eu pensava assim.
Há uns oito anos eu conheci o trabalho do André Vianco. Emprestado de um amigo, comecei a ler “Os Sete”. A sinopse: “Eles encontraram uma caravela naufragada. Dentro dela, uma caixa de prata. Esperavam um tesouro, não uma maldição. Não sabiam que a caixa de prata guardava sete vampiros do Rio D´Ouro. Depois que o primeiro deles despertar o Brasil nunca será como antes.”
Hein? Um autor brasileiro escrevendo sobre vampiros? E ainda, sobre vampiros PORTUGUESES E NO BRASIL? Piada, né? Pior que não… O livro conta mesmo a história de uns mergulhadores que encontram a tal caravela portuguesa naufragada no litoral do Rio Grande do Sul. Lá dentro, uma caixa com os cadáveres murchos, ressequidos e centenários. É óbvio que algum imbecil acaba se cortando e o sangue pinga na galera, que acorda. Daí começa a merda saga.
Eu sou chata. Poucas coisas me surpreendem. Esse livro me surpreendeu. Depois dele li “O Sétimo”, a sequência que conta a história de um daqueles vampiros em particular (o pior deles) tocando o terror Brasil afora. Ainda: O Turno da Noite I, II e III – que conta a história de jovens vampiros, herdeiros de toda essa bagunça formada nos dois primeiros livros. Tem também O Bento, O Senhor da Chuva, O Vampiro-Rei… enfim, noitadas e mais noitadas de excelente leitura sobre vampiros (e também sobre anjos, demônios, espíritos e tudo mais dentro do assunto sobrenatural).
O que me agrada é ler livros sobre vampiros andando em Sampa, poder imaginá-los na Rua Augusta ou em algum ponto da paulista. Ou mesmo em alguma praia de Floripa. É legal ter essas referências.

O vampiro gostosão de "A Hora do Espanto"
Mas veja só: não são livros de puro terror, embora a visualização de algumas cenas brutais possa até ser um pouco chocante. São livros bons. Que te prendem. Com narrativa fluente, ousada, excelentes personagens, fora do lugar comum. Você se pega ansioso por um desfecho ou torcendo ao ler um trecho de luta. Mas não vão te assustar ou te deixar sem sono à noite. Um pouco impressionado, talvez. E o André Vianco nem tenta isso, com certeza. Talvez por esse motivo ele esteja conseguindo uma coisa rara em livros com esse mote: a novidade.
Eu recomendo!
SPOILER ALERT!: Esqueça tudo o que você sabe sobre vampiros. O André Vianco consegue imaginá-los com poderes completamente diferentes como congelar e controlar o tempo, ressuscitar os mortos, transformar-se em lobisomens (!)… E imagine 7 vampiros irmãos. Sendo que todos eles tem um medo gigantesco de um, o tal Sétimo. Eu disse: novidades.

Últimos comentários