Battle of the smileys
Todo bom nerd conhece diversas histórias onde um produto melhor perdeu a briga contra um muito mais fraco. A maior parte destas histórias tem boas jogadas de mercado do lado vencedor, como nas clássicas brigas Betamax vs. VHS ou Apple vs. IBM (se bem que nesse caso nenhuma se deu muito bem… assunto pra outro post). Tudo isso dá raiva (pelo menos a qualidade do VHS me irrita profundamente), mas nada irrita mais do que ter que deixar de usar um produto GRATUITO e muito melhor que a alternativa por que seus coleguinhas usuários são acéfalos!!
Ninguém fala disso, mas foi o que aconteceu no Brasil com os IM (Instant Messengers).
Até 1996, a conversa na net dependia de canais IRC e bate-papo do UOL (que nem a Felina, mas sem a webcam). Aí uma empresa israelense chamada Mirabilis lançou o ICQ (i-seek-you), que revolucionaria a Internet (lembram do “uh-oh“?). O ICQ foi o primeiro IM a conseguir grande projeção e avançou rapidamente, introduzindo novas features a cada versão. Dois anos depois, em junho de 98, o ICQ foi vendido para a AOL por US$287 milhões. Nesta época, o serviço já tinha 12 milhões de usuários registrados.
Mais ou menos nesta época começou a fechar o cerco em volta da ICQ. A própria AOL havia lançado um concorrente, o AIM, embora até 2003 versões +/- anuais com atualizações relevantes para o ICQ continuassem a ser lançadas. Mas o mercado era muito bom, e ninguém quis ficar de fora. Começou a pipocar IM pra todo lado, cada um fazendo sucesso ou não em determinadas partes do mundo. Pra se ter uma idéia, até hoje nos EUA o IM mais popular é esse tal de AIM, que eu não conheço ninguém que tenha.
![]()
Mas o que nos interessa é o caso brasileiro. E aqui, o ICQ segurou a onda por um tempo. Desde 1999, quando a Microsoft lançou o MSN Messenger, alguns amigos começaram a deixar misteriosamente de aparecer no ICQ. Eu já tinha visto esse tal de MSN pra onde o povo parecia estar indo, mas nunca tinha dado muita bola. Só que em 2003 foi lançado o MSN 6.0. Meu ICQ poucos meses antes tinha quase 70 pessoas online a qualquer momento. De repente, eu logava e não tinha 15 online. Só faltava uma bola de feno rolando no monitor essa hora. Não dava mais, instalei o tal msn pra ver o que tinha de bom. Oh, the horror…
Naquela época, o ICQ já tinha todos os recursos do mundo. Voip? Tinha. Video? Sei lá, ninguém tinha webcam! Mas o mais importante, é que ele tinha tudo que a concorrência tinha. E teve tudo antes. Esses dias por exemplo vi um video do Google Wave, onde uma platéia cheia de desenvolvedores aplaudiu embasbacada o chefe de engenharia do Google mostrar um recurso que deixa você ver em tempo real o que a outra pessoa está digitando. Caralho, o ICQ já fazia isso em um chat com infinitos usuários, cada um com as cores e fontes que quisessem!! Além disso, a transferência de arquivo era foda, você podia customizar todos os sons, tinha skin, etc, etc.
Enquanto isso, esse tal de msn num permitia nem que se conversasse com alguém que estava invisible. Mandar msg pra um usuario offline? Nem pensar. Achar alguém procurando por nome, cidade, etc? ha! E demorou anos pra isso rolar (a procura de usuario até hj num presta).
Na minha cabeça, não fazia o menor sentido alguém trocar o ICQ pelo MSN. O problema, claro, era eu. Eu não falava mIgUxEiX. SI EU FALAXXI eXXaH maLDiTAH lINgUaH EU Saberiah kI U KI ImPOrTAh nauM eh NAdAh dIXXU Di FuncionAh…… O que importa é ver as foTinHAaAsss
dos meus mIgUxOsss lindus e us
smileys
pra eles entenderem
que porra
o texto
acima quer dizer, já que quem fala miguxes
num sabe
ler
e na verdade só entende o que tá nos emoticons.![]()
![]()
Se não tivesse solução, solucionado estava. Mas tem! Eu vou pra Rússia. Afinal, na Rússia, o ICQ envia VOCÊ!!!



Últimos comentários