The Great Scam
O assunto de hoje, caros geeks, é EVE ONLINE (sim, assim em maiúsculas). É um MMORPG para o PC, antigo, já… Nunca joguei, e não conheço ninguém que tenha jogado.
Porque estou então escrevendo sobre o jogo, vocês me perguntam? Bom, li hoje um artigo na 1up sobre “confiança em videogames”. O artigo é curto, mas a premissa é interessante. Trata de como os jogos tratam da interação entre os jogadores, ou mesmo entre o jogador e os NPC (non playable characters), e como os laços de confiança sao criados/destruidos.
Cita inclusive um jogo que joguei: “John Carpenter´s The Thing”, em que os personagens que o jogador encontram podem ou não ter sido infectados pela “coisa”. Assim, você nunca sabe se o cara do seu lado vai lhe ajudar, ou tentar comer você (literalmente falando. espero). O jogo não é grandes coisa, mas tentou inovar.
Logicamente, a questão de confiança se torna muito mais prevalente em MMORPGs em que você interage com outros humanos, e que trabalham em conjunto atrás de um objetivo. Como manter uma confiança virtual em alguém que você não conhece na vida real? Num FPS qualquer, isso não é essencial, pois não se costuma permitir “player killing”, e quando isso ocorre, você morre, e logo volta. Mas, em alguns jogos, como WoW, isso envolve recursos do jogo, centenas de horas de jogo perdidas, itens raros….
Mas então, sempre achei interessante essa questão do Virtual x Real. Não estou afim de aprofundar o assunto, até porque poderia escrever 10 páginas e ninguém comenta mesmo, mas quis colocar pra vocês aqui duas situações ocorridas em EVE ONLINE, sobre as quais li anos atrás.

Pelo que pude entender, o jogo lhe permite adotar diferentes ocupações no espaço, comprar suas naves, fazer trocas, juntar seu dinheiro virtual (isk). O que é interessante é que há um real componente capitalista envolvido. Você pode criar corporações, realizar negócios, produzir bens, etc. E, como acontece em todos os MMOs, eventualmente isso entra no mundo real, e pessoas passam a vender itens virtuais (na verdade, suas horas de trabalho e investimento pessoal para conseguir os bens) por dinheiro real.
Na primeira situação, uma guilda de assassinos foi contratada para matar a CEO de uma das maiores corporações do jogo. Eles passaram um ano preparando o ataque, colocando seus membros em posições chave da companhia para, sincronizadamente, roubar todos seus bens, e matar a CEO. O relato dessa estória está aqui. Infelizmente, não encontrei o relato em formato melhor do que o do link: são 4 imagens (scans das páginas da revista). Mas, dá pra ler, e a reportagem é curta (4 páginas) embora não explique exatamente como o ato foi feito, traz declarações de membros da guilda, uma listagem do prejuizo causado, e o dinheiro envolvido…
A segunda situacao é, para mim, mais interessante. Trata de um golpe financeiro aplicado por dois jogadores, conhecido como “The Great Scam” Embora o prejuizo causado seja exponencialmente menor, o texto é muito legal porque foi escrito pelo próprio realizador do golpe. Assim, ele descreve, passo a passo, como ele foi feito. O cara escreve muito bem (tá em inglês, claro) e se torna uma leitura prazeirosa (pelo menos pra mim, geek). O texto tem 18 folhas, e pode ser baixado aqui. Sei que vocês reclamam que meus posts são longos, e essa leitura realmente é longa, mas gostei muito do texto. Como eu sei que vocês são preguicosos, e não vão nem clicar no link, coloco abaixo um pequeno trecho do texto:
This is a story of deception, intrigue, and doublecrossing. It is a story of liars, bandits, and greed. It is a story of the worst of the human condition, and how the motive for profit will drive a normally nice guy to the deepest depths of evil and betrayal.
This is the story of my life in Eve Online.
…
“We would like to remind the players of Eve Online that game masters are unable to assist players who have been involved in any sort of scam. We have taken measures to prevent scamming by making it easier for corporations to see exactly who has access to the shipyards and equipment pools, but it is up to the officers of the corporation themselves to ensure that they fully trust the individuals they recruit.”
I called Trazir again and told him about the things I had just read. We had a nice long talk, and our planning commenced.
The possibilities were tremendous. I could think of so many potential ways to make an unethical profit that it made my head hurt, and for once, I welcomed the pulsing pain. Horatio Alger’s spirit was alive that day, and I reveled in it. Since trading, our only source of income, was now so dangerous that it would be fruitless over a long term period of time, neither Trazir nor I had any moral qualms about screwing somebody else out of their money. After all, it was a dog eat dog universe, and the only ones who made it to the top were the ones who did so by any means possible.
Bom, acho que era isso. Tenho certeza que existem outras situações de golpes aplicados em jogos no mundo virtual, e apreciarei se as encaminharem pra mim. Esses do EVE ONLINE chamaram minha atenção por terem sido feitos dentro das “regras” do jogo, sem utilizar-se de nenhum outro artifício. Tanto que os próprios administradores do jogo se pronunciaram dizendo que não fariam nada a respeito.
É claro que, para os jornais, dá mais ibope escrever que “Hacker rouba milhares de dólares em jogo virtual”. Mas, nos casos em que citei o que houve foi uma atividade, realizada dentro das “regras” do jogo, em que bens virtuais foram surrupiados. Esses bens virtuais, que logicamente não deveriam ter valor, só são acessíveis através de muito trabalho e tempo. Então, de acordo com o velho Adam Smith, eles passam a ter valor financeiro. Assim, a manchete certa seria: “Jogador de EVE Online consegue x milhões de isk, que, se vendidos no mundo real, corresponderiam a…” Mas, qual seria a graça, né?
Ainda assim, vários jogadores perderam coisas que lhe tomou meses de “trabalho”. Lembra como você fica quando o Word trava, e você perde uma hora de texto que não salvou? (usem o autosave, crianças). Então, imagina como eles ficaram…
A questão do “crime” no mundo virtual é algo que me fascina, e adoro conversar a respeito. Mas vou parar, porque o post já está, de novo, longo.
No fim, a regra, tanto no mundo real como no virtual é de que: “se algo parece bom demais pra ser verdade, provavelmente o é.” Ou, melhor ainda, como se diz na minha terra: “camarão que dorme, a onda leva”.

É, eu já tinha lido sobre esse golpe. Genial. O texto é mto bem escrito mesmo. Crimes virtuais num mundo virtual, crimes virtuais num mundo real, crimes reais num mundo virtual… Ah, tantas possibilidades…rs.
Olá! Parabéns pelo artigo… Também acho isso bem interessante. Já tive minhas épocas de viciado em MMORPG’s, já vendi itens virtuais por dinheiro real e já ouvi casos absurdos que misturam o mundo real e o virtual.
Agora, de cabeça, lembro de um caso que não tem muito a ver com golpe e dinheiro, mas que chamou a minha atenção. Em WoW, tinham 2 guildas em guerra. Um membro de uma guild morreu na vida real, e os caras resolveram fazer um enterro online. Acontece que a outra guild planejou minuciosamente um ataque e zuou tudo. Tem até vídeo disso, mas nem encontrei mais.
Conheci seu blog hoje, mas já tenho uma sugestão: seria legal se tivesse um botão “Comentar” no final do post, pois assim que eu acabo de ler um post (na página principal), se eu quero comentar eu preciso subir até o título dele, apertar o botão “Comentar” e depois descer para continuar lendo os outros posts.
Quando o post é grande isso enche o saco :P
@Fernando
Fernando… Seja bem vindo, rapaz. Valeu pelos comentários, e vou passar tua sugestão pro Shayani, que é o webmaster do site…
Em relacao a teu exemplo, unica coisa que me vem à cabeça é uma coisa muito louca que aconteceu no Ultima Online, quando foi ocorrer um “discurso publico” virtual do Lord Britannia, apenas o criador do jogo. Pois foi um cara, e matou ele!!! Acho que foi isso. Vou procurar, e se for interessante, virará um novo post.
Continue vindo, e comentando.
@Fernando @Sami
Coloquei um link no final do artigo pra facilitar. Assim que tiver mais tempo e idéias, deixo ele “organizado”. Abraços